A utilização de resíduos do processamento de mandioca, como folhas e caules, pode reduzir drasticamente os custos da alimentação de bovinos no Brasil. Essa técnica, que foi destaque na Feira Internacional da Mandioca (Fiman) em novembro de 2025, apresenta uma alternativa viável para os criadores de gado, que tradicionalmente dependem de milho e soja. A adoção dessa prática pode impactar significativamente a economia do setor pecuário e a sustentabilidade da mandiocultura.
O Potencial Nutricional das Folhas de Mandioca
As folhas de mandioca são uma fonte rica em proteínas, com teores variando entre 20% e 28%. Essa riqueza nutricional é frequentemente ignorada, resultando em milhões de toneladas de resíduos sendo desperdiçadas anualmente. O médico veterinário Jair Siqueira, com 48 anos de experiência em nutrição animal, alerta que a parte aérea da planta, que inclui folhas e caules, é onde se concentra a maior parte dos nutrientes essenciais. Esses resíduos podem substituir alimentos tradicionais na dieta bovina, como o milho, que é utilizado em 98,3% das propriedades brasileiras, segundo o levantamento Confina Brasil 2025.
Viabilidade Econômica e Técnica do Uso de Resíduos
A técnica de utilização de resíduos de mandioca foi amplamente discutida na Fiman, que reuniu representantes de 26 estados e 14 países, demonstrando um crescente interesse em práticas sustentáveis dentro da pecuária. O primeiro corte das folhas deve ser realizado em média cinco meses após o plantio, permitindo até oito cortes em cultivos irrigados ao longo de dois anos. Esse cronograma de colheita não apenas maximiza a produção, mas também proporciona uma fonte contínua de alimento nutritivo para os bovinos.
Desafios e Considerações na Implementação
Apesar do potencial, a adoção de folhas de mandioca como alimento para gado enfrenta desafios. A mandioca brava, por exemplo, contém ácido cianogênico, uma substância tóxica para os animais. No entanto, técnicas de desidratação e fenagem podem mitigar esse risco, permitindo que os criadores aproveitem os benefícios nutricionais sem comprometer a saúde do rebanho. Além disso, a integração dessa prática na dieta bovina pode reduzir a dependência de insumos caros, como milho e soja, que dominam atualmente o mercado.
Opinião
A incorporação de resíduos de mandioca na alimentação de bovinos não é apenas uma questão de sustentabilidade, mas também uma estratégia econômica inteligente. Com a alta dependência de milho na dieta bovina, a diversificação com folhas de mandioca pode oferecer uma solução viável para reduzir custos e melhorar a saúde animal. A conscientização e a educação sobre essa prática são fundamentais para transformar o setor.




