O mercado imobiliário brasileiro está se preparando para um crescimento de 10% nas vendas em 2026, mesmo diante de uma taxa Selic elevada de 15% ao ano. Essa expectativa, divulgada pela Câmara Brasileira da Indústria da Construção (Cbic), reflete uma demanda persistente por imóveis, apesar das dificuldades de acesso ao crédito habitacional. Entender essas dinâmicas é crucial para investidores e profissionais do setor.
Cenário atual do financiamento imobiliário
De janeiro a novembro de 2025, os financiamentos imobiliários totalizaram R$ 140 bilhões, marcando uma queda de 17,1% em relação ao mesmo período do ano anterior. O segmento de médio e alto padrão foi o mais afetado, enquanto o programa Minha Casa, Minha Vida deve alcançar um recorde de 600 mil unidades vendidas, evidenciando uma disparidade entre as classes de renda. Essa situação reflete a exclusão de 800 mil famílias do acesso ao crédito para imóveis de R$ 500 mil nos últimos cinco anos, uma consequência direta da alta dos juros.
Novas regras e injeções de capital
Para estimular o mercado, o governo federal tomou medidas significativas, como a liberação de 5% do compulsório da poupança em 2026, o que injetou R$ 35 bilhões adicionais no Sistema Brasileiro de Poupança e Empréstimo (SBPE). Além disso, o teto do valor do imóvel financiado pelo Sistema Financeiro de Habitação (SFH) foi elevado de R$ 1,5 milhão para R$ 2,25 milhões, a primeira correção em sete anos. Essas mudanças visam aumentar o acesso ao crédito e facilitar a aquisição de imóveis, especialmente para famílias com renda entre R$ 8,6 mil e R$ 12 mil, que agora podem financiar imóveis de até R$ 500 mil.
Demanda reprimida e perspectivas de compra
A nova Faixa 4 do Minha Casa, Minha Vida, que combina o uso do FGTS com prazos mais longos de financiamento e taxas de juros menores, pode ser um fator decisivo para destravar a demanda reprimida no mercado. Segundo uma pesquisa da Brain Inteligência Estratégica, a intenção de compra no segmento de médio e alto padrão chega a 48%, o que indica um potencial significativo para o crescimento das vendas nos próximos anos. A combinação de melhores condições de financiamento e um mercado que ainda apresenta interesse pode gerar um ambiente favorável para investidores.
Opinião
A expectativa de crescimento de 10% nas vendas imobiliárias em 2026 é um sinal positivo para o setor, especialmente em um cenário de juros altos. As novas regras e injeções de capital podem ajudar a reverter a queda nos financiamentos e estimular a compra de imóveis, especialmente entre as classes de renda média e alta. Contudo, a continuidade desse crescimento dependerá da evolução da taxa Selic e da recuperação econômica.




