Em 2025, a taxa Selic alcançou 15% ao ano, o que teve um impacto significativo no mercado imobiliário em Santa Catarina. O percentual de consumidores com financiamentos imobiliários ativos caiu para 8,8%, refletindo as dificuldades enfrentadas por famílias e investidores em um cenário de juros elevados. Essa situação é crucial para entender as dinâmicas de crédito e consumo no estado.
Queda no Financiamento Imobiliário
Os dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (PEIC), realizada pela Fecomércio SC em parceria com a CNC, mostram que, em dezembro de 2024, 12,4% dos consumidores catarinenses possuíam financiamentos imobiliários ativos. Um ano depois, esse número despencou para 8,8%. Essa queda acentuada está diretamente ligada ao aumento da taxa Selic, que, ao atingir 15% ao ano, encarece o crédito e reduz a capacidade de investimento das famílias.
Além disso, a liberação de crédito imobiliário sofreu uma retração de 14% entre janeiro e novembro de 2025, em comparação ao mesmo período de 2024. Essa diminuição no crédito disponível é uma resposta do mercado às condições econômicas adversas, onde as altas taxas de juros limitam a disposição dos consumidores em assumir novas dívidas.
Endividamento e Inadimplência em Alta
O cenário de endividamento em Santa Catarina também apresenta números alarmantes. Em dezembro de 2025, 73,1% das famílias estavam endividadas, uma leve queda de 1,5 ponto percentual em relação ao ano anterior. O cartão de crédito se destaca como a principal fonte de endividamento, presente em 84,5% dos casos, o que evidencia a dependência dos consumidores em relação a essa modalidade de crédito.
O índice de inadimplência, por sua vez, atingiu 33,1% em outubro de 2025, um recorde histórico, embora tenha recuado para 31,4% em dezembro. A média histórica de inadimplência é de 22,3%, indicando que o estado está enfrentando um período crítico em termos de pagamentos em dia, o que pode afetar a saúde econômica local e a confiança dos investidores.
Perspectivas para o Mercado Imobiliário
Apesar dos desafios, há uma expectativa de recuperação para o mercado imobiliário em 2026, com analistas prevendo uma leve queda na taxa Selic, impulsionada pela redução da inflação futura. Essa possível diminuição nos juros pode incentivar os consumidores a reconsiderar investimentos em imóveis, que são tradicionalmente financiados e, portanto, sensíveis a mudanças nas taxas de juros.
A recuperação do crédito imobiliário será fundamental para reverter a tendência de queda no percentual de financiamentos ativos. O presidente da Fecomércio SC, Hélio Dagnoni, destaca que a aquisição de bens duráveis, como imóveis, depende fortemente de financiamentos, tornando o cenário atual um ponto de atenção para investidores e instituições financeiras.
Opinião
O cenário atual do mercado imobiliário em Santa Catarina é preocupante, mas não desesperador. A expectativa de queda na Selic pode abrir novas oportunidades para os investidores. No entanto, é essencial que as famílias mantenham um controle rigoroso sobre suas finanças para evitar a inadimplência, que continua a ser um risco significativo no estado.




