Em novembro de 2023, a taxa de inadimplência das famílias em Santa Catarina apresentou uma leve queda de 0,3 ponto percentual, totalizando 32,8%. Essa redução, embora modesta, pode sinalizar uma mudança de tendência, especialmente em um cenário onde a inflação e os juros estão elevados. A pesquisa, realizada pela Fecomércio SC em parceria com a CNC, revela importantes implicações para o mercado e investidores.
Queda na inadimplência e suas implicações
A redução da inadimplência em novembro de 2023 foi um alívio após sete meses de alta contínua. O índice de 32,8% ainda está acima da média nacional de cerca de 30%, mas a diminuição pode ser um indicativo de que as famílias estão começando a se recuperar financeiramente. Hélio Dagnoni, presidente da Fecomércio, sugere que a queda da inflação, que avançou apenas 0,09% em outubro, pode ter influenciado essa mudança. A expectativa é que, com a inflação sob controle, os juros, que estão no maior patamar em 20 anos, possam começar a cair, favorecendo ainda mais a recuperação das famílias e, consequentemente, a redução da inadimplência.
Aumento do endividamento e suas consequências
Apesar da queda na inadimplência, outro dado preocupante é o aumento do endividamento das famílias catarinenses, que subiu de 70,4% para 72,5% em novembro. Embora o endividamento possa refletir uma disposição para o consumo, especialmente em investimentos como imóveis e automóveis, a crescente porcentagem de famílias que não conseguem quitar débitos atrasados, que passou de 9,7% para 10,2%, é um sinal de alerta. Isso indica que, mesmo com a leve queda na inadimplência, muitos ainda enfrentam dificuldades financeiras.
O papel do cartão de crédito no endividamento
O cartão de crédito continua sendo o principal responsável pelo endividamento em Santa Catarina, representando 85,7% das dívidas das famílias. Em seguida, vêm os carnês (30,6%), crédito pessoal (19,5%) e financiamento de automóveis (13,1%). Essa concentração de dívidas no cartão de crédito é preocupante, pois, com os juros altos, as famílias podem enfrentar dificuldades ainda maiores para honrar seus compromissos financeiros. A economista Edilene Cavalcanti destaca que o endividamento, quando relacionado a bens, pode ser saudável, mas a inadimplência é um problema que precisa ser tratado com urgência.
Opinião
A leve queda na inadimplência em Santa Catarina é um sinal positivo, mas o aumento do endividamento e a alta taxa de famílias inadimplentes revelam fragilidades no cenário econômico. Para investidores e o mercado imobiliário, é crucial monitorar esses indicadores, pois a recuperação econômica pode ser lenta e desafiadora.




